Postagens

2 meses

Imagem
          Começo a me sentir mais segura, a entender melhor a dinâmica da casa, das meninas, a minha e a com o Marcelo, mas o medo é uma onda que vem e que passa, o tempo todo. Medo das golfadas, dos ronquinhos, da manchinha, do formato da cabeça, de se ausentar tempo de mais, do trânsito, de tudo...       Elas dormem, acordam, choram. Brincamos de chaves, lemos histórias, Os olhos delas são muito profundos, hipnotizam o coração da mãe. Elas sustentam o pescoço com mais facilidade, tão toda serelepes.          Amamentar é um exercício de paciência e dor. Paciência por ter que aguardar o tempo delas. A dor física de amamentar duas e a emocional por não dar conta de nutrir.  Deus, obrigada pela fórmula. Ela me permite, aos poucos a voltar a uma vida, que nunca mais será igual, mas que há espaço para outras facetas além da maternidade e as nutre enquanto eu tento conseguir.        ...

Nossos 30 dias.

Imagem
   Clarice e Elena chegaram há exatos 30 dias. Temos 25 dias em casa e passamos 5 na maternidade. Foram noites mal dormidas, pessoas queridas, quarto apertado, trocas de quarto. Ajuda de tia, de mãe, de amiga, das enfermeiras. Elas eram tão pequenas, piavam como passarinhos.       Não queria sair do hospital. Tive uma crise de ansiedade na primeira noite em casa e tomei rivotril. Marcelo com sua serenidade, segurou muito a mão. Teve que ser colo para três.     Parece que tem pouco tempo que eu tirei os pontos. Mais tempo ainda passou, que lembro que quando eu tossia, pensava que meus órgãos iam sair ou estava andando corcunda com a dor da cesária. Levantar era muito difícil. A cirurgia foi mais difícil do que imaginei.      Clarice nasceu primeiro, às 15h58. Minha obstetra mexeu no meu abdome e logo estava com ela ao meu lado, com aquele chorinho sentido. Elena demorou 6 minutos mais a sair e foi para longe. Eu não entendia o que es...

A reta final

Estamos a menos de 24 horas de Clarice e Elena. Todos os perregues possíveis aconteceram nessa reta final. Logo eu, uma pessoa que costuma ser organizada, teve tudo virado de pernas para o ar, pois assim que o maternar é, uma estrada sem rumo, mas com uma sentimentalidade grande. E eu, estou desde julho por aqui também, me dividindo entre casa, hospital, passeio e exames. Me afastei dos trabalhos por restrições médicas e por saúde mental e confesso, que precisava desse tempo para mim, apesar da minha grande resistência em querer ser heroína trabalhadora, carregando dois seres humanos em uma mesma placenta no bucho... por favor, né? Hoje, percebo que eu precisava desse tempo. Por mim e por elas. Trabalho em dois, três lugares desde 2011 e a pausa foi importante para muitas coisas se assentarem na vida. Me senti muito mais reclusa do que em qualquer momento na vida. Os comentários nem sempre eram os melhores e eu, na minha confusão, queria um pouco de paz, de acalento e eu precisei busca...

Sobre as cordas que a gente solta...

Imagem
Todas as cordas que eu achava que eu tinha na mão estão soltas e eu, barriguda e cansada estou tentando segurá-las... ou deixá-las soltas mesmo, pois, afinal não há nada que tenha acontecido até então que me ensinasse tanto sobre a falta de controle da vida do que uma gestação de dois seres humanos. Eu queria trabalhar, mas não posso. Eu queria não estar mais em uma sala de aula, mas provavelmente estarei quando voltar da licença. Eu queria fazer comidinhas pensando nas crianças, mas há meses não cozinho nada, por que passei 5 meses enjoando e continuo tendo medo de enjoar. Eu queria ter visto mais pessoas, ser mais disposta, terminar de ler um livro que está esperando há alguns anos mas foi tudo bem diferente e minha lista de desejos só cresce... Talvez, pensando na pessoa que sempre fui, eu precisava de uma pausa para colocar muitas coisas no lugar... na minha casa e em mim. E nem a casa e nem aqui dentro, tudo está muito assentado, mas, consigo enxergar no meio de uma bagunça organi...

Mudar de casa e ser casa.

           Quando eu descobri que estava grávida, um das primeiras necessidades que tive era que precisava mudar para um apartamento maior, para ficar mais perto dos meus pais e do trabalho, em especial, mas para olhar a janela e ver um pedaço de mim. Me sinto muito mais em casa agora. A mudança não acaba nunca, as coisas ainda têm aquele ar bagunçado e nós com pouca disposição e tempo para tentar colocar tudo no lugar.                Eu nasci e cresci na Samambaia. Hoje eu dou aula numa escola daqui. Isso gera na minha cabeça um senso de responsabilidade muito grande, pois a minha história se entranha com meus alunos, com as dificuldades e oportunidades. Toda vez que eu desanino, eu olho para aquelas crianças e me vejo. Pode parecer egoísta, mas é minha forma de afeto. Por mim e por eles.                Quando também nos tornamos casa, muitas coisas passam pela cabeça...

Carta a quem me fez mãe.

 Querido filho ou filha,      Provavelmente você estaria em meus braços agora. A data provável do parto era dia 02 de julho. Quando descobri a gestação, seu pai estava ajeitando a casa que iríamos morar definitivamente juntos, eu estava nos três trabalhos, na correria de sempre. Me lembro bem desse dia. Tinha ido ao ginecologista acompanhar o mioma e a ademoniose, que por muitas vezes, quase me fez não ter esperança de ser mãe. Era mais fácil negar o desejo, do que deixá-lo fluir. Cada um com sua forma de sobreviver.          Entreguei os exames pré-concepcionais para a médica, ainda com muito medo se um dia poderia ser mãe. A médica folheando os exames riu e disse: - Você está grávida.          Eu disse: - Não doutora, é o mioma...           - Escolha o nome do seu mioma e faça esse BHCG para tirar a dúvida. Parabéns.          Saí do exame meio atônita e avi...

As abdicações começam cedo demais.

Imagem
    Para quem me conhece como bibliotecária e professora, jamais me resumi ao o que meu cargo me propõe. Isso pode ser um bem ou um mal.      Recusei duas vezes por questões financeiras, um cargo na gerência que eu sempre sonhei estar. A gente precisa saber sonhar, até porque os sonhos não pagam as contas, mas o trabalho sim. Vida que segue.     Saiu minha nomeação em agosto de 2021 para bibliotecária para SEEDF. Não assumi com muita dor no meu coração. Sempre foi um sonho muito grande... Pagava muito menos que a carreira de professor e não poderia arriscar mais. Foi uma das decisões mais difíceis que eu tomei na minha vida.        Em novembro do ano passado, na primeira gestação, eu estava em sala de aula e em breve iria para a supervisão pedagógica, convite da gestão da escola. Descobri que estava grávida e entendi (mais ou menos) que não poderia oferecer o suporte necessário para a nova função. Recuei. No outro dia sair...