As abdicações começam cedo demais.

    Para quem me conhece como bibliotecária e professora, jamais me resumi ao o que meu cargo me propõe. Isso pode ser um bem ou um mal. 
    Recusei duas vezes por questões financeiras, um cargo na gerência que eu sempre sonhei estar. A gente precisa saber sonhar, até porque os sonhos não pagam as contas, mas o trabalho sim. Vida que segue.
    Saiu minha nomeação em agosto de 2021 para bibliotecária para SEEDF. Não assumi com muita dor no meu coração. Sempre foi um sonho muito grande... Pagava muito menos que a carreira de professor e não poderia arriscar mais. Foi uma das decisões mais difíceis que eu tomei na minha vida. 





     Em novembro do ano passado, na primeira gestação, eu estava em sala de aula e em breve iria para a supervisão pedagógica, convite da gestão da escola. Descobri que estava grávida e entendi (mais ou menos) que não poderia oferecer o suporte necessário para a nova função. Recuei. No outro dia sairia a nomeação no diário oficial que se tornou sem efeito...
    Junho de 2022... recebo uma proposta para uma área legal, perto de casa, sem perder as gratificações... agradeço o convite e falo a realidade "estou grávida de gêmeos, mas continuo trabalhando direitinho, só teria que ver na época da licença maternidade..." A resposta que recebo é que infelizmente não teria como alguém me substituir nesse período e mais uma vez fico no mesmo lugar.
        Preciso sair de sala. Tenho 3 laudos médicos. Estou receosa não por mim, mas pelas crianças, porém, me sinto sozinha nessa luta, e o único interesse nisso é o meu, de ninguém mais. E eu sou apenas uma professora na ponta. 

        Estou arrasada. Meu lado profissional é extremamente importante para mim, por que além de ser mãe, eu também quero olhar para outros lados da vida que ainda me pertencem.  Eu quero poder cuidar de mim, mas tudo parece complicado demais.

          Não tenho nada a dizer além de ficar triste mesmo.

   

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