O amor acontece pela sobrevivência.
Uma das mentiras que te contam sobre a maternidade é a respeito do tal amor maternal. Pelo menos comigo, não aconteceu quando eu descobri que estava grávida. Na verdade, o sentimento é de torpor e piora quando a descoberta são de duas crianças.
Não posso dizer que não sinto absolutamente nada, mas ainda é um sentimento muito distante do amor, confesso. Não deu tempo ainda de curtir a gestação do jeito romântico da coisa. A cabeça pensa nas mudanças estruturais da vida: mudança, casa maior, trabalho, e tudo mais. Talvez esse cuidado seja uma forma de amar também, não sei.
Quando sofri o aborto em novembro de 2021, foi a dor mais profunda que senti na vida, quando de forma muito insensível, disseram que o coração do bebê não batia mais. Nada explica. Nada que eu escreva vai resumir o que eu senti. Foi ali que eu me senti mãe, com a necessidade da vida daquele ser humano que partiu.
Foi tão significativo que eternizei aqui na minha pele.
. O ultrassom não me emociona, mas causa alívio. De ter dois corações batendo além do meu. Que desejam viver, mesmo quando eu mal consigo comer. Eu só preservo vidas que não são minhas, mas que estão ai querendo ver o que tem nesse mundo.
Garantir a sobrevivência é um grande ato de amor. E só o que consigo sentir agora.
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