O (não) sonho de ser mãe.

     Eu nunca sonhei em ser mãe.

     Nunca olhei para uma grávida e me imaginei com aquela barriguinha enorme imaginando a carinha do bebê e todas as fofurices que possam ser possíveis nesse caminho de gerar uma vida.

    Não dei espaço para sonhar com a maternidade em relacionamentos inseguros, com uma vida ideal ainda não construída com o que acha que é importante para receber um ser humano que depende integralmente de você. 

    Para mim, a (ma e pa)ternidade precisa ser uma vontade e responsabilidade de dois. Nunca quis e nem vou levar isso sozinha e por isso sonhar a maternidade, precisa ser muito além do sonho infantil em brincar de boneca de verdade. 


O dia que descobri que eram dois bebês e o não sonho começou.


    Eu falo para o meu parceiro que se em algum momento ele pensar em se isentar disso, eu faço da vida dele um inferno. E faço mesmo. Pode ser que no futuro decidamos não ficar juntos ( não estamos em nenhuma crise, mas eu também não sou uma iludida do feliz para sempre, apesar de querer), os filhos serão SEMPRE NOSSOS. E eu espero não deixar o meu amor maternal em algum momento, ser mais forte do que enxergar a responsabilidade do outro em cuidar do que é dos dois.

    Hoje, o que me traz um pouco de tranquilidade nesse não sonho é ter conquistado algumas coisas importantes e que se tudo der errado e eu ficar sozinha, ainda consigo sobreviver. Tenho uma apartamento financiado em 30 anos, um emprego estável e um carro que não cabe as cadeirinhas, mas que posso em algum momento me meter em um outro financiamento (o que provavelmente vai acontecer). A parte material, apesar de não ser muito, não nos garante um futuro embaixo da ponte.

    Além disso, as minhas próprias vivências pessoais que me garantiram boas histórias, experiências incríveis para compartilhar com os dois seres que estão vindo. Então não posso dizer que não aproveitei a vida por conta deles ou delas. Agora iremos aproveitar junto
s, outras experiências e construir novas histórias de família...

    Quando eu penso nisso tudo com carinho, o coração se aquece um pouco e me pergunto, será que eu não sonhava em ser mãe?

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