Postagens

Mostrando postagens de junho, 2022

As abdicações começam cedo demais.

Imagem
    Para quem me conhece como bibliotecária e professora, jamais me resumi ao o que meu cargo me propõe. Isso pode ser um bem ou um mal.      Recusei duas vezes por questões financeiras, um cargo na gerência que eu sempre sonhei estar. A gente precisa saber sonhar, até porque os sonhos não pagam as contas, mas o trabalho sim. Vida que segue.     Saiu minha nomeação em agosto de 2021 para bibliotecária para SEEDF. Não assumi com muita dor no meu coração. Sempre foi um sonho muito grande... Pagava muito menos que a carreira de professor e não poderia arriscar mais. Foi uma das decisões mais difíceis que eu tomei na minha vida.        Em novembro do ano passado, na primeira gestação, eu estava em sala de aula e em breve iria para a supervisão pedagógica, convite da gestão da escola. Descobri que estava grávida e entendi (mais ou menos) que não poderia oferecer o suporte necessário para a nova função. Recuei. No outro dia sair...

O amor acontece pela sobrevivência.

Imagem
          Uma das mentiras que te contam sobre a maternidade é a respeito do tal amor maternal. Pelo menos comigo, não aconteceu quando eu descobri que estava grávida. Na verdade, o sentimento é de torpor e piora quando a descoberta são de duas crianças.          Não posso dizer que não sinto absolutamente nada, mas ainda é um sentimento muito distante do amor, confesso. Não deu tempo ainda de curtir a gestação do jeito romântico da coisa. A cabeça pensa nas mudanças estruturais da vida: mudança, casa maior, trabalho, e tudo mais. Talvez esse cuidado seja uma forma de amar também, não sei.               Quando sofri o aborto em novembro de 2021, foi a dor mais profunda que senti na vida, quando de forma muito insensível, disseram que o coração do bebê não batia mais. Nada explica. Nada que eu escreva vai resumir o que eu senti. Foi ali que eu me senti mãe, com a necessidade da vida daquele ser...